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Minhas aventuras pela Terra Santa!

sábado, novembro 25, 2006

Todas as tribos

É shabat e meus dois flatmates viajaram. Estou agora curtindo a tranquilidade e sossego de estar sozinha no apê pela primeira vez desde o início das aulas. Ontem recebi amigos pra um jantar com direito à batata frita feita em casa (por mim!), franguinho, massa do Ri e até mousse de chocolate de sobremesa, mais violão e vinho. Delícia, não?

Eis que me perguntam onde estavam meus shutafim (= flatmates, em hebraico), e eu respondo:
- Cada um com a sua família, o Gal em Kfar Shmaryiahu e o Shay no kibbutz, no norte.
E o Ricardo bem lembra 'Isso é Israel'.

Eu já contei pra vocês que morar com pessoas que você nunca viu na vida é suuuuper comum aqui, não?
Funciona assim: Você entra num dos sites de busca, escolhe a área que quer, se fuma ou não, se respeita o shabat e a kashrut ou não; liga e vai ver o lugar. Como a procura está cada vez maior, a competição é sempre entre mais de 40 candidatos. Se dá sorte, junto com você estão apenas mais dois ou três interessados - e aí os entrevistadores podem te dar mais atenção e tentar te conhecer um pouco. Os já moradores do apê que está com um quarto vazio te levam pra uma volta pela casa, explicam as regras básicas e te fazem a entrevista. Daí é só rezar pra te escolherem entre os 392836...

O meu caso foi diferente. Muitas casas com gente e regras, digamos, esquisitas. Escutei coisas do tipo 'aqui só limpa quem quiser' ou 'se você tiver namorado, que ele só venha uma vez por semana pro apartamento'.

Cansada de ir às entrevistas e não sair nada (acho que tinha maiores chances de ganhar na loto, mesmo sem jogar) e depois de conhecer o Gal, resolvemos procurar um apartamento vazio pra alugar e morar juntos. Tinha mais uma menina na história (que nos apresentou, por sinal) mas isso não é mais relevante. Eu sabia que morar com mulher de novo ia me dar dor de cabeça.

Então, eu e o Gal achamos esse apartamento simpático em Rehavia, bairro nobre de Jerusalém, onde moramos há 2 meses. Como a casa tem 3 quartos, colocamos anúncio na internet e entrevistamos mais de 40 pessoas num intervalo de 4 horas. Depois, com as anotações sobre todos os candidatos na mão, ligamos pros 3 que mais queríamos como 'terceiro elemento'. Cada um tinha seguido um rumo diferente ou não estava mais interessado no apê. Eis que liga o Shay pra saber se já tinhamos decidido, e decidimos então por ele.

O Shay veio de um kibbutz modesto no norte do país. Tímido, de aparência 'estranha', digamos. Mas é um doce de pessoa. O único que presta atenção nos meus bilhetes e segue à risca meu modelo de 'como limpar a casa'. Estuda Animação em Bezalel. Está sempre disposto a ajudar. Fez mochilão na América do Sul. Não fuma, não bebe, e pelo visto também não fode.

O Gal morava em Kfar Shmaryiahu, top do top da high society israelense. O conheci na caça por apê e, como nós dizemos sempre, foi love at first sight. Começamos a sair juntos sempre, ligações todos os dias. Eu estava certa de que morar com ele seria maravilhoso. Pessoa boa, calma, inteligente. Nasceu na África do Sul e aos 7 anos se mudou pros EUA. Aos 11 veio morar aqui. Estuda Comunicacão visual, também em Bezalel. Avoado, viajante, um doce de pessoa, sempre sorrindo e otimista. Mas...

Tô pra matar ele. Matar mesmo. Tudo comecou quando o melhor amigo dele veio aqui em casa e conseguiu quebrar todas as regras da casa e outras que nem existiam ainda. Música alta de manhã, restos de comida por toda a cozinha, louça na pia, boiler ligado, toalha no chão = visão do inferno.

O Gal, fofo, me pediu mil descupas e me garantiu que o menino ia se comportar como um ser humano da próxima vez. Mas aí descobri que o avoado do meu flatmate ia me dar trabalho. Essa agora foi a segunda semana que ele tinha que limpar o apê (segundo a lista que fica pendurada na geladeira), e pela segunda vez ele viajou e esqueceu. Óbvio que eu não quis ficar na imundice e limpei, de novo.

Entro no quarto dele pra pegar não sei o que e vejo que de novo ele viajou e esqueceu o aquecedor do quarto ligado. De novo ele tomou chá e deixou o saquinho molhado em cima da pia. De novo esqueceu o boiler ligado.

Me lembrei como eu era há pouco mais de um ano. O nojo que eu tinha de ficar limpando a casa, como manchava as roupas na lavanderia e até mesmo deixava o boiler ligado, pelo simples fato de não estar acostumada a desligar nada quando saía do banho. Depois da primeira conta de luz alta, entrei no esquema.

Está aí, essa é a minha casa. Eu, uma olá chadasha ('nova imigrante'), um kibbutznik e um riquinho mimado. Isso é Israel.

* Querem ver foto da placa que o Shay pintou pra nossa porta? Cliquem aqui.

* A amiga de vocês não é mais garconete, pelo menos não por enquanto. Começo amanhã a trabalhar no atendimento à clientes da Agência Judaica. Estou super feliz. Conto mais em breve!

2 Comments:

Anonymous Marcia said...

Oi, meu nome é Marcia e descubri seu blog não me lembro bem como, mas como já morei em Israel,e eu gosto de blogs, fotoblogs, notícias daí então sempre pesquiso... Bem eu tô escrevendo porque fui no seu fotolog e vi uma foto de 31/10, onde tem uma gsrota do lado direito que parece muito minha prima e gostaria de confirmar contigo, o nome dela é Neri? e inclusive sabe falar portugues.
Bem, qualquer coisa me escreve p/marcia2902@gmail.com. Grata
Bjs

10:27 PM  
Anonymous Daniel( namorado da Gi) said...

Oi Nathy, passei para dar uma olhada no seu Blog.
Poxa eu li sobre os seus flatmates, eu sei exatamente como é isso, bagunça, coisas fora do lugar, pia suja etc...
Se vc conseguir uma formula me de um toque pq eu ainda não consegui resolver estes problemas de dividir Ap com pessoas desorganizadas. Mas é melhor onde eu estou do que antes,antes eu morava com um nerd e uma garota de programa(olha aonde eu me meti.
Mas relaxa, pense q sempre pode ser pior. hehehe
Nathy um super beijo e se cuida.

5:29 PM  

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