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Minhas aventuras pela Terra Santa!

terça-feira, novembro 28, 2006

Faz tempo que o meu coração não bate assim...

Capítulo final: Choro e despedida

São agora 4:42 da manhã. Cheguei em casa aos prantos.
Às 22:31, estava jantando na casa da Deia e da Ellen quando meu celular tocou e apareceu na tela o nome 'Não!'. Era ele. Senti um frio na barriga.

Sabia que ele tinha passagem pro dia 6 de dezembro e que tinha me prometido uma despedida. Ligou cedo demais para os horários dos nossos encontros, estranhei. Perguntei se era hoje que ele vinha se despedir. Já estava há alguns dias me preparando pra isso. O que é que ele me disse?

- Você sabe quando eu viajo? Hoje à noite. Mudei a passagem.
- Porque você mentiu pra mim?
- Babe, eu mudei a passagem, era dia 6 mesmo.
- Tô sem bateria no celular. Não brinca.
- Então carrega ele até às 01:30. Quer vir me ajudar a fechar a mala?

Depois que eu deliguei o telefone, me deu uma crise de choro. Podem rir, mas já faziam quase 4 meses que estávamos 'juntos', me acostumei com ele. As horas voam quando estamos juntos, é tão gostoso, divertido, engraçado... Viramos muito mais do que amantes, e hoje eu tive certeza disso.

Me ligou na hora combinada e disse que ainda precisava se despedir de um amigo, perguntou se não tinha problema me ligar mais tarde ainda. Claro que não. Deitei e coloquei o celular embaixo do travesseiro.

3:30 da manhã e ele me avisa que esta na porta. Eu levantei, escovei os dentes e saí. Entro no carro e ele começa a cantar a música do rádio. Geralmente cheio de joguinhos, olha pra mim e se inclina, pedindo um beijo. Eu, que ainda estava mais pra lá do que pra cá, continuei sem reação no carro. Não estava acreditando naquilo, só podia ser um pesadelo.

Esfreguei os olhos e eu estava no mesmo lugar. Chegamos na casa dele. Pela primeira vez, aliás, eu fui na casa dele. Mora há pouco mais de 5 minutos do meu apê.

Entramos na casa (que é muito bonita, por sinal), ele me deixou no quarto dele e foi falar com a mãe, que dormia no quarto ao lado. Enquanto ele conversava com ela, eu via as malas prontas, a passagem em cima da cama. Abri para espiar as datas, a passagem está aberta até novembro do ano que vem. Tinha uma foto de uma menina numa das prateleiras. Provavelmente a namorada dele.

Quando ele entrou no quarto novamente, eu perguntei sobre o vôo. Me disse que saía de Jerusalém em direção ao aeroporto em uma hora. Arrumou o que faltava e se sentou ao meu lado. Todo o assunto que sempre tínhamos, as gargalhadas, brincadeiras... Nada estava lá. No mais longo silêncio desde que nos conhecemos, um abraço muito apertado. Começam a cair lágrimas dos meus olhos. Ele me aperta com mais força.

- Vou te bater se continuar chorando - tenta quebrar o gelo. Não adianta. Outro abraço e começam os beijos, que ele já estava ficando preguiçoso de dar. Mas a gente não tem tempo...

Meu querido Sujinho contou então que embarcava às 7:30 da manhã e que ia ficar na casa da irmã, que mora em Londres. Eu contei que estava de trabalho novo e muito feliz lá.

A mãe dele entra no quarto e nos pega abraçados. Nos afastamos. Ela chega falando inglês com aquele sotaque britânico lindo. Se assusta em me ver ali, sentada na cama com o filho dela, poucas horas antes da partida. Mas os dois continuam discutindo detalhes da saída dele (Nadav só a respondia em hebraico, enquanto que ela só falava inglês).

Então pedi pra ele me trazer de volta pra casa. Ele pediu que eu anotasse o telefone novo dele, eu disse que não, que já era hora dele sair da minha vida. Com olhar de cachorro sem dono, parou na minha frente e disse 'Nu?' (= Então?). Não respondi.

Descemos pelo elevador, outro abraço apertado. Entramos no carro e eu disse pra ele que ainda devia estar dormindo, tudo aquilo era um pesadelo e que eu não ia lembrar nada no dia seguinte. Ele diz 'Melhor assim. Você precisa de alguém que te dê valor'. Eu não respondi.

Perguntou quantos anos eu ia ficar em Israel.
- Pelo menos 3, por que?
- Então, porquê você está preocupada? Volto antes disso.
- Ah, tudo bem então (risos).
- Porquê você não vai passar umas férias comigo? 200 dólares a passagem, é pertinho, 4 horas.
- Pára de dificultar a minha vida - e eu começo a chorar de novo.

Ele olha pra mim e diz que queria me dizer umas coisas.

- Você é muito especial, eu fiquei muito feliz em ter te conhecido e gosto muito de você.
- Porquê a gente não se conheceu antes? Porque as coisas não foram diferentes?

Ele vira a cabeça pro outro lado e tenta esconder o rosto. Me olha, então, de repente com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas. Estava achando que eu que era sensível demais, boba, chorona, sei lá. Mas ele? Aí sim que eu desatei no choro.

Chegamos na porta da minha casa e saímos do carro pra fumar um cigarro.

- Pelo menos você está feliz com a viagem?
- Agora você vai poder me ligar a hora que quiser - diz.
- Engraçadinho. E a sua namorada? Ela não vai com você?
- Não tem nada certo, e ela só termina o exército em janeiro.
- Soldada ainda? Ai, meu Ds! Ops, desculpa, não é da minha conta.
- É sim, pode perguntar o que quiser.
- Porque não vamos juntos ao Brasil ano que vem?
- Se eu tiver ganhando bem lá, vou com você pra onde for.
- Eu vou te visitar sim.
- Então quer anotar meu telefone e email, por favor?

Eu anoto o e mail. O telefone ele não sabia de cabeça.

Abraço forte. Aquele beijo inesquecível. As mãos, antes entrelaçadas, vão se soltando devagar, exatamente que nem nos filmes!

Ele entra no carro e eu digo: 'Juízo, menino'. Liga o carro e começa a ir embora. Eu finjo que viro pra entrar no prédio e viro pra trás, vejo a sombra do cabelo espetadinho dele. E começo a chorar de novo...

Cheguei em casa e liguei o computador direto. Precisava desabafar. Tô muito triste hoje, espero que passe logo. Ele acabou de me ligar do carro, já está à caminho do aeroporto. Me deu o telefone dele de lá.
- Laila tov, babe (= boa noite).
- Boa viagem, querido.

6 Comments:

Anonymous Gi said...

Amigaaaa, fica tranquila! Vai ficar tudo bem. Segue sua vida, você está aí ele já deve estar lá. Não se prende não... Deixa as coisas rolarem um pouco. Acredita na vida porque ela é sábia. Fica bem e cuida de você, do seu trabalho, do seu estudo. E qualquer coisa me liga, escreve... Beijos e se cuida!! Carinho, Gi

2:38 PM  
Anonymous Anônimo said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

2:42 PM  
Anonymous Renata (Rezilda) said...

Caraca, parece história de amor de filme mesmo... Achei linda, mesmo q o final não tenha sido feliz.
Mas vc sabe, se ele for sua alma gêmea (hehe, não ria), com certeza o destino vai dar conta de juntar as pecinhas. Caso contrário, não se preocupe, vc vai seguir a sua vida, enquanto ele segue a dele... Os rumos serão diferentes e vc vai esquecê-lo, encontrar um outro alguém.
Sei q é difícil neste momento dizer isso, mas, lembre-se, "a distância é o melhor remédio".
Bjos e se cuida!

3:14 PM  
Blogger Nathy said...

EU NAO ACREDITO QUE TEM GENTE INVEJOSA O SUFICIENTE PRA LER TODO O MEU BLOG E DEIXAR COMETARIOS MALDOSOS... SOMENTE MEUS AMIGOS SAO BEM VINDOS. PODE INVEJAR, ANONIMO.

3:35 PM  
Anonymous Paulinha said...

Ai, Nathy! Que nervoso! O que que vc vai arrumar tb, amiga! Espero que as coisas se arrumem. Se tiver que ser, será. E eu torço mto por vc. Tenho certeza de que a vida ainda te presenteará com uma linda surpresa. Sujinho ou limpinho, ele vai te dar tudo aquilo que merece. É só dar tempo ao tempo.
Bjs, amiga, se cuida!

1:39 PM  
Anonymous Anônimo said...

jajajajajaja..
Vc e uma comedia , ja tentou voltar no Brazil e falar pra a rede globo te contratar ...
As mil e uma noites de choro da Nathy ....
Carracas 5 anos na PUC em comunicaçao pra isso

2:47 PM  

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