Pensamentos, idéias, histórias... Nathalhices!

Minhas aventuras pela Terra Santa!

segunda-feira, maio 29, 2006

Dia 1


Estava na tranquilidade de Pardesya, meio entediada e meio angustiada, contando os dias pra chegar no Brasil. Sem trabalhar e com poucas possibilidades de fornecer ao meu corpo a adrenalina que ele pede. Dai me deu uma luz. Liguei pra um amigo chileno que mora em Eilat, o Aaron, fiz a malinha e fui pra la. Conheci Eilat em 97 e voltei em 98, nas duas vezes pra visitas de um par de dias e nada mais. Depois, ano passado, fui a uma festa com meu irmao na praia, e so. Nao me lembrava de muita coisa. Peguei um livro (levei o `Abusado`), musica, protetor solar e biquini. Roupas pra dois ou tres dias, no maximo.
Primeira parada: Jerusalem. Passagem que ate merecia ser comentada, mas vou deixar pra outra oportunidade. Outra historia louca pros dias que eu quiser falar mal de homens. Aproveitei tambem pra rever amigos e passear pela sempre nostalgica Jerusalem. Meu primeiro e proximo lar em Israel.
Vamos la. Sete da manha meu onibus saiu de Jerusa. Ficar sozinha no banco era fundamental nesse momento. Sorte, onibus vazio. Mas mesmo assim, nao consegui dormir. Duas horas rodando no banco. Parada de 15 minutos. Achei que uns chocolates fossem me deixam mais relaxada pras outras duas horas de viagem, mas nada. Fiquei foi com a consciencia pesada. Tinha um religioso no banco perto do meu que ficou me secando a viagem inteira e me deixou extremamente irritada. Ta.
Chego e meu amigo me diz que esta no medico, nao pode me buscar. Me diz pra entrar num taxi e pedir pelo numero 889. Eu pergunto `Que diabos 889, em que bairro, que rua?`. E ele `Da-le Natu, 889`. Ai eu tive certeza de que ia me perder. E o primeiro pensamento foi `Pq que eu inventei de vir pra ca?!`. Entro no taxi e comecam as surpresas. A taxista era super simpatica. Atencao, nessa frase tem duas informacoes muito importantes. A primeira, o taxi era dirigido por uma mulher, e foi a primeira vez em quase um ano de Israel que eu vi isso. Sei la porque. Mas a segunda parte da frase eh ainda mais surpreendente. Israelense e simpatico sao duas palavras que, definitivamente, nao se aproximam. A nao ser que seja com uma expressao de negacao no meio. Cheguei ate a pensar que era ela lesbica, um doce! E ainda, de primeira ela me levou no tal 889. Em Eilat eh assim mesmo, cada endereco eh identificado somente por um numero. Depois disso eu ate resolvi mudar meu botao do humor pra `positivo`. Encontrei com meu amigo na casa dele, colocamos o papo em dia, troquei a calca e o casaco por um vestidinho e fomos caminhar pelo centro turistico, o calcadao. Vinte e quatro horas por dia movimentado por uma feirinha de artesanato (alias, feirinha nada, eh enorme!), no inicio esta o shopping da cidade e, claro, tudo isso com a brisa da praia. Calor delicioso. Clima de festa. Os maiores e mais luxuosos hoteis que eu vi na vida. Ah, claro, o melhor eh que no balneario todos os produtos sao vendidos sem impostos (que nem em Manaus). Ou seja, tudo mais barato. Logo no primeiro dia garanti meu mp3 (512 MB por 140 shekels, tipo 70 reais. De graca!).
Conheci os amigos do Aaron, dois argentinos. Tentar a vida em Eilat nao me pareceu facil, pelo menos pelas historias deles. Mais de 12 horas por dia, em trabalhos puramente bracais, e por isso estao sempre com dores musculares. Passeamos um pouco e eles foram trabalhar de novo. Ja era tardinha. Ai entao, sozinha, eu realmente comecei a me divertir. Eu sempre fui muito dependente dos outros. Admito. Tudo chato era sozinha, achava que era coisa de gente chata mesmo, ou ate rejeitada, sem amigos. Me sentia perseguida pela falta de tempo dos outros. E isso sempre me fez sofrer muito. Pois posso dizer que mudei completamente de ideia. Eu fui querendo conhecer a minha companhia e descobri que eh excelente! Fui ate o deck de outra praia e fiquei horas la sentada, com os pes mergulhados na agua transparente, de onde via as luzes dos hoteis e da Jordania refletidas. O deck era tipo de borracha, acompanhava o sobe e desce das (quase) ondas daquela piscina maravilhosa. Espetacular. O celular toca, um dos amigos do Aaron tinha terminado de trabalhar e queria me acompanhar no meu passeio. Meio contrariada, mas ao mesmo tempo com medo de enjoar de mim mesma, aceitei que se juntasse a mim. Eita bondade masculina, ne? Em menos de dez minutos sozinho comigo o cara ja tava arranhando cantadinhas de quinta. Senti falta de silencio. Mas prometi pra mim mesma que no dia seguinte o celular nao ia ter bateria.
Antes que o engracadinho se animasse (minha mare nao estava pra paqueras, juro, amigos. Acreditem em mim!), fui pra casa, tomei banho e encontrei de novo com o Aaron e com o outro amigo dele, Jorge. Buena onda o maluco. Trinta e um anos, tres em Israel. Estavamos em frente ao shopping, onde tudo acontece na cidade. De repente, Pardesya aparece na minha frente. Um dos meus amigos daqui estava la, a trabalho, por 3 dias. O Yuval mora umas poucas casas antes da minha. Ele eh barman em um cathering que faz eventos em todo o pais. Estava com um amigo, o dono do negocio, que por sinal foi esnobe como todos os outros. Combinamos de fazer algo mais tarde e nos despedimos. Enquanto isso, de volta ao mundo latino, sentei num pub no chamado `Mercaz Taiarut`, o centro turistico. Um aglomerado de bares, restaurantes e boates. Sinuca e Smirnoff Ice. Em pouco tempo, ja estava me sentindo um pedaco de carne com um bando de urubus em cima. Tudo preto e branco de novo. Liguei entao pro Yuval e fui encontrar com ele e com o tal amigo dele, Roy, em um pub mais transado, logo depois de onde estava. Dois copos de vinho mais tarde, o amigo esnobe estava extremamente aprazivel. Os tres sentados no balcao no pub, meio bebinhos. O Yuval comeca a dar sinais de que vai dormir ali mesmo, entao o Roy resolve levar ele pra casa. Me pediu pra esperar no pub mesmo, que eram 2 minutos de carro ate o quarto deles. Eu, que estava achando otimo estar solita, disse que tudo bem. E ainda pensei `o malandro ta achando que vai voltar e vai me pegar, hehehe. Nem sabe que to tranquila, nao quero ninguem`.
Dez minutos depois, maos fecham meus olhos pelas costas. Era ele, claro. Ja tinha comecado o contato corporal. Mas eu me mantinha firme. Papo vai, papo vem... Nao eh que ele era muito engracado mesmo? E bonito, e inteligente. Comecamos a falar sobre a influencia do exercito na cabeca do israelense, na cultura, no estilo de vida. Ele tinha umas opinioes... Depois fomos pra metas de vida de cada um, passando por religiao e valores. Ele foi me amansando. Ou melhor, me derretendo. Se voce, meu querido amigo/a, teve paciencia e leu ate aqui, merece saber do final, que nao eh desses que acontece todo dia. Eh daqueles que voce conta com saudades e com os olhos brilhando. No fim do terceiro copo de vinho, muitos risos e uma ponta sobria de esperanca (`Sera que eh ele?!`) me levaram a sair de la pro parque em frente. De um jeito que nao me acontecia desde quando beijar na boca era novidade. E de la pra areia da praia.
Agora deixo voces curiosos ate amanha. Ou pelo menos ate mais tarde! ;)

1 Comments:

Anonymous Ellen said...

Otimo Bonita!!!
Tu escreve mto bem mesmo!!!
Soh que eh foda... Ou melhor, eu sou foda! Hehe
Jah sei toda historia!!!!!! E com detalhes que acredito (e espero tb... rs...) q tu nao vai abrir aqui...
Bjs linda!

1:50 AM  

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